Fazia tempo que não sentia essa necessida de escrever… talvez porque a necessidade vem quando as coisas se tornam obscuras… escrever faz com que eu coloque as coisas no lugar. Mas está difícil encontrar a próxima frase.
É uma dor tão grande, lá no fundo, talvez um infarto na alma, como meu colega José Augusto me explicou hoje na madrugada, quando meu sono me abandonou. Ao mesmo tempo escutava a moça sendo assaltada na rua… Ela gritou, chamou a polícia e a moto se foi.
Por que tudo é assim? Jesus, Jesus, Jesus… tento me agarrar em algo, como se estivesse afundando com medo de me afogar… que parte eu perdi? Será que eu dormi o filme todo? Assisti a mesma palestra duas vezes hoje a noite. Misericórdia, bondade, humildade, doçura e … paciência… Já ia me esquecendo da palavra mais importante.
Fazia tempo que não via o dia amanhecer… Geralmente não gostava… achava estranho dormir com o dia clareando, sentia uma agonia, parecia que estava atrasada. Hoje não. O amanhecer me trouxe esperança… primeiro me assustou… uma hora passou muito rápido, a madrugada se foi… mas a dor ficou, o sol ainda não cosneguiu me acalmar. Leio, escrevo, tendo entender o que está acontecendo, tenho medo de entender… Será que fico com o benefício da dúvida? Paguei para ver uma vez! Infartei…
Engraçado que antes disso tudo me veio uma gratidão imensa por estar viva. Louvar e agradecer a Deus pela dávida de respirar, de acordar e começar um novo dia… parece que estava alimentando a alma para o que viria a seguir. Alimentar a alma era preciso, já que o corpo não pede por comida. Tenho tido sensações nunca antes sentida. PArece que eu me conhecia tão bem… mas agora está tudo do avesso… Antes eu ficava triste e comia, senti fome… hoje já não mais… sensação de enjoo, como se quisesse vomitar o que me consome por dentro… Cuspir é uma boa tática dizem…
Sinto uma vontade de dormir… hibernar, entrar em modo offline, por alguns meses… atravessei as ruas sem olhar, fiquei com medo de mim mesma. Vontade de deletar, como se deleta um e-mail.
Meus Deus. Afasta os inimigos, já que eu não os reconheço…
Dia bom. Finalmente fui conhecer o centro histórico. Apertado e colorido.
Sorry, mas estou sem estômago para escrever hoje.
Amanhã é um novo dia.
Flávia.
Programa familiar. Fomos ver a exposição de quadros do meu host father. Na verdade, exposição de todos os quadros da turma que está aprendendo pintura. Evento muito nativo e peculiar.
Primeiro ouvimos o hino nacional. Estranho né? Cantar hino sem bandeira. E era um evento para 60 pessoas. Nada muito glamuroso. Mas parecia que era importante. Depois alguns depoimentos, uma galera tocou umas músicas bem interessantes, mistura de violoncelo com instrumentos indígenas.
No final, vinho Concha y Toro e coisas para picar. Guilhermo estava muito feliz que estávamos lá. Ah, engraçado que a solenidade durou uns 40 minutos. E por incrível que parece, todas as crianças no recinto estavam caladas e mega comportadas. Fiquei imaginando a Luiza lá parada dando franiquito. Rsrsrs
Mas o perrengue do dia foi tentar trocar uma nota de 100 dólares. Fui em dois bancos e no final tive que comprar algo no supermercado para que eles me trocassem. Um absurdo né. Estamos falando de 160 reais. O que se compra com 160 reais no Brasil? Ridículo! Parecia que eu tava com um anel de diamante na mão e ninguém queria relar.
Bom, por hoje é só. Está acabando. Isso é bom? O fim pode ser bom?
Bjs.
O dia tinha tudo para dar errado, mas até que acabou bem.
Sai da aula as 13h30 e fomos direto para o Santuário de Guápulo. De novo o Lonely Planet dizia uma coisa, mas não concordei. Enfim, a história do santuário é a seguinte: em dezembro de 1696, o povo equatoriano organizou uma procissão com a imagem de Nossa Senhora de Guapulo para a Catedral de Quito, no Equador, cujo bispo Sancho de Andrade y Figueroa, estava gravemente enfermo. Em certo momento, o padre José de Ulloa apontou para o céu gritando: ”A Virgem! A Virgem!”. Todos puderam contemplar a imagem da Virgem sobre uma nuvem (“nube” , em espanhol), com o Menino nos braços. O bispo ficou imediatamente curado. Logo se ergueu na catedral um altar a Nossa Senhora da Nuvem.
O estranho é que essa aparição não é muito comentada entre os religiosos que conheço. Enfim. Chegando lá, entramos na igreja, pagando um dólar e meio. É muito bonita mesmo, o alta, cheia de rosas brancas… Tem um museo com coisas antigas e junto da igreja há uma universidade e um convento. Andamos pelo bairro, que dizem ser cheio de artistas e boêmios, mas não vi nada. Talvez a noite seja mais agitado, mas duvido muito. Depois das 9 da noite, não tem uma alma pena na rua.
Aliás, além de nós 4, havia apenas mais uma turista perdida no local, que deixou muito a desejar. A tal vista bacana, também devia estar escondida em algum lugar que não a encontramos.
Voltamos correndo para pegar o bus e ir ao estádio assistir ao jogo da Libertadores: Liga x Independientes. Resultado 2 x 0. Isso salvou o dia. Estava meio tristinha, mas nada como um futebolzinho para relaxar (rsrs até apreço homem falando). Na verdade, distrai minha cabeça. Gosto de ir ao campo, preciso fazer isso mais vezes. Estou até vendo eu ir no Pacaembu ver o timão! Rodrigo vai ter que ir no morumbi também! rsrs
Pena que minha camera estava sem bateria. Mas logo mais, postarei uma fotinhas aqui (de mim embaixo de chuva, aliás só tem foto minha com capa de chuva nessa viagem. Dá pra imaginar a situação!).
Fá.
Dia corrido. Aproveitei uma janela na escola e fui andar na avenida mais povoada e movimentada de Quito. Bom, segui a sugestão do Lonely Planet. Comecei no arco que fica no Parque El Ejido e caminhei sentido norte. No guia fala que ela é perfeita para uma caminhada, entãoa pensei numa avenida verde, ampla, cheia de cafés… Mas não é bem assim. Grande parte dela tem fluxo de uma mão só, logo pra mim isso vira uma rua e não uma avenida. E depois é uma avenida importante cheia de comércio local e hoteis e agências de viagens. Just. Não vi nada de mais. Só no cruzamento em que tem o hotel Marriot é que ela fica mais bam bam bam.
Mas enfim, fiz alguma coisa. Depois aula até as 16h00 e casa. E frio.
That´s it.
Besos. Fá.
Mais uma viagem. Acho que foi a última no Ecuador. Quilotoa é o nome de um lago que se formou dentro da cratera de um vulcão.
Mas antes de chegar até lá, passamos primeiro pelo mercado Saquisili, parecido com o mercado de Otavalo, mas muito muito muito nativo. Os turistas que lá estavam eram somente meu grupo (em torno de 10 pessoas). De resto, apenas nativos fazendo suas compras semanais. O que falei para Otavalo, se aplica também aqui: muita gente do campo fazendo a feira. E muita pobreza também. Para quem tem a idéia de que no campo se vive melhor, é melhor rever os conceitos. No campo, existe muita pobreza, falta de estrutura e fome.

Depois, no meio do caminho paramos para visitar uma familia nativa, que vive em casas que mais se parecem ocas. Ainda não sei ao certo se era verdade ou algo fake para atrair turistas. Penso que não, porque alí não existem tantos turistas ao ponto de sustentar aquelas pessoas. Na casa, moram avô, avó e netos. O que os netos estavam fazendo alí? Não sei. Foi isso que me botou em dúvida quando a veracidade da situação. Mas enfim, mas pobreza, mas também mais harmoniza com a natureza.
Enfim chegamos a Quilotoa. A van consegue chegar até o topo da Cratera que fica a 3.800 metros de altitude. Porém, a lagoa fica abaixo, logo é preciso descer, caso queira chegar a margem. Já que lá estava, lá fui eu. Como para descer todo santo ajuda, foi relativamente fácil. O solo era complicado, com pedras, fofo e ingrime. Chegando a margem, começa a chuva de granizo forte. Nos abrigamos em um hotel improvisado que lá existe. Parou de chover e começamos a subir. Só depois me dei conta que não havia tocado na água da lagoa. Estávamos tão preocupados em subir antes que a chuva voltasse que me esqueci de ao menos tocar a água, porque jamais eu me banharía naquela aguá geladíssima.
Bom, se para descer eu desci em meia hora, para subir levei uma hora e meia. Não é mais difícil que Cotopaxi, apenas é mais longo. Havía a opção de alugar um burro por 8 dólares, mas fui mão de vaca e fui a pé.
Atrasamos um pouco o almoço e voltamos direto para Quito. Dessa vez, sem enjoos e com Dramin, dormi a viagem toda e só acordei as 7 da noite em Quito.
Mas posso dizer que é um dos lugares mais bonitos que já conheci. Os poucos raios de sol que surgiram, refletiram uma água verde-água, formada pelo derretimento do gelos que ficavam no topo da cratera gigante. Estando lá, dentro do vulcão e vendo sua grandiosidade, mais uma vez pude perceber como somos pequenos diante da natureza e como somos poucos gratos a ela.
Agora, após estar energizada pelos Andes, me sinto mais forte para continuar a caminhada, sejá lá que lugar do mundo for.
Beijos.
Fá.
Ontem, cometi um erro gravíssimo. Não apareci aquí nem dei nenhuma justificativa do meu sumiço. Erro imperdoável para uma blogueira.
Ontem (estou atrasada um dia em meu diário de bordo) fui a Otavalo. É uma cidade cerca de 2 horas de Quito onte tem um tradicional mercado (feira) que ocorre aos sábados. Foi uma viagem leve perto da ida a Cotopaxi ou a Quilotoa. Mas foi bom, na medida certa. Pude descansar entre uma escalada e outra.
Foi uma viagem bem privada. Quatro pessoas mais o guia. Eu, Kazue, Marri e uma alemã. Fizemos várias paradas até chegar ao mercado de fato. Primeiro ponto interessante foi o Latitude zero. Ponto onde eles dizem que passa a linha do Ecuador. O guia disse que havia um museu, mas na verdade existe um moço lá que explica como eles observam o sol, o movimento da terra, etc. O legal é tirar a foto básica com um pé em cada hemisfério.
Depois ficamos uns 20 minutos parados na estrada. Uma carreta sofreu um acidente e a pista ficou interditada. Seguimos e paramos numa fábrica de biscoitos. Legalzinho… Mas também é um ponto extra no roteiro. O bom da fábrica de biscoitos era o queijo. Hum! Queijo fresco daqueles que vc puxa e solta uns fiozinhos… Meio mussarela de bufala do Brasil. Delicioso!
Depois, paramos para mirar a Laguna Sao Pablo. Ficamos 5 minutos no miradouro, já que a vista não era da melhores. Lá mesmo, já começou um certo comercinho (souvenirs, presentinhos, imãs de geladeira, etc). Em pouco minutos chegamos a Otavalo. Lá estava o mercado, cheio de barraquinhas vendendo tudo o que pode imaginar. Desde sabão em pó até colares, roupas e tenis.
Como a população do Ecuador ainda é bem ruralizada, essas feiras são o ponto de encontro das pessoas que vivem no campo. Lá não existe grandes redes aonde quer que vc for. Apenas em grandes cidades como Quito e Guayaquil é que se pode encontrar grandes redes. Aliás, em Otovalo não existe nem mercadinho de bairro.
Apesar de ser bem turístico, pude ver muitos nativos com suas vestimentas típicas fazendo suas compras: uma mulher perguntando quanto custava a bolsa, outros levando carne para casa ou ainda verduras e legumes.
Após fazer a feira básica das lembrancinhas a levar para a família, fomos almoçar. Fomos em buscar de um lugar que servisse fritada, mas não encontramos. De qualquer maneira, era um lugar bem simpático e com bom serviço. Se chama Otavalito.
A penultima parada foi em Cotacachi, cidade conhecida por fabricar muitas coisas em couro. Realmente havia muito produtos e coisa boa e bonita e barata. Só que meia hora para fazer compras não dá nem para olhar vitrine, né?
Por fim, a última visita a uma outra lagoa: Cuicocha. Essa sim muito bonita. O tempo não ajudou muito, mas era demais. 
Mal eu sabia o que estaria por vir no sia seguinte: Quilotoa.
Bjs, Fá.
Dia lleno! Coisa boa. Comecei as 9h com aula de conversação e fui até as 13h30. Tirando um professor cubano mega moralista, tudo ocorreu bem. Saí da aula e fui com Helena até a agência de viagem para que ela comprassa também sua passagem a Quilotoa (domingo).
Saímos de lá e fomos almoçar num lugar típico, ou que servisse comida equatoriana. Seguimos a sugestão do Lonely Planet e fomos ao La Canoa. Segui a risca o meu amigo guia e pedi una Bandera. Como sempre, nunca dá certo esse negócio de turismo gastronômico. Definitivamente não é para mim. Na minha Bandera vinha: linguiça recheada de arroz com sangue, linguiça recheada com bucho e lombo frito. Tudo isso emcima de plátano frito. Também me serviram uma saladinha básica de alface, cebola e tomate. E para beber, claro, jugo de Mora (amora)! Surreal de bom! Vou me entupir de amora até não poder mais. Aquí é mais comum até mesmo que suco de laranja.
O mais engraçado foi o couvert: Pipoca! Nunca pensei que isso pudesse vir a ser entrada um dia na vida. Mas bom, como sempre pipoca é bom.
Mas se a alma não é pequena vale a pena né? E como até ganhei um parabéns do Ro, tá tudo certo!
Depois fomos a Casa de la Cultura. Lugar bem legal. Museo bem montado, traz peças de toda a historia do Ecuador: desde peça que datam de antes de Cristo até as pinturas do século 19, após a proclamação da República. O legal era a música de fundo em cada um dos ambientes: flauta inca até uma ave-maria.
Por fim, fui ao Quicentro comprar blusas de frio para a viagem de amanhã! Estou animada! Próximo capítulo, Cotopaxi!
Besos y buenas noches.
Fá
Hoje o dia foi normal. Aulas às 9 da matina, parando apenas às 13h30 para almoço, voltando novamente às 14h30 e saindo às 16h00.
Na ultima aula do dia, tem uma brasileira na minha classe que está em Quito devido ao trabalho do marido. Mariana ela se chama. Esse nome me persegue! Ela é uma fofa. Super simpática e contou um pouco da sua experiência com os ecuatorianos.
Depois fui ao supermercado. Preciso me preparar para minha escala hasta los 5000 metros de altitude. Comprei snacks, goma, água e chocolate para levar a montanha. Dizem que é fundamental para dar energia ao corpo. Vou ter que quebrar a quaresma. Mas fico firme no alcool. Mas como disse o Ro: saudade é um ótimo alimento de quaresma, é parecida com a fome.
Fiquei encantanda com a variedade de coisas que eles tem. Muitos mais que no Brasil. Mesmo comparando este supermercado com o Pão de açúcar da Lorena, ele ganha de 10 x 0. Muitas coisas diferentes, nada de marca própria e muita, muita variedade. E olha que era estilo hipermercado (roupas, eletronicos, papelaria e afins).

Para finalizar o dia, macarrão com atum e tarefa escolar. Meus Deus! Quanto tempo que eu não comia macarrão com atum nem fazia tarefa. É isso! Recordar é viver.
Hasta mañana.








